Automatizando Minha Estreia no YouTube
A maioria das pessoas começa um canal no YouTube comprando um microfone. Eu comecei escrevendo uma CLI em TypeScript.
Se você é dev, isso provavelmente faz total sentido pra você. Se não é — calma que eu explico.
O Que Já Aconteceu Antes
Faz seis meses que eu não abro o Canva. Escrevi sobre isso — montei um pipeline de Instagram que transforma conversas com o Claude em PNGs de carrossel. Templates HTML, screenshots via Playwright, Figma MCP pro polimento. Tudo no terminal.
Esse pipeline mudou mais do que meu Instagram. Ele provou uma tese: criação de conteúdo não precisa ser uma disciplina separada do desenvolvimento. Mesmas ferramentas. Mesmo flow. Mesmo repositório git.
Quando decidi começar um canal no YouTube, a pergunta não foi "qual câmera comprar?" Foi "como manter a produção de vídeo dentro do meu ambiente de desenvolvimento?"
A resposta é uma CLI de 25 arquivos chamada yt.
O Canal
Antes de falar da ferramenta — vou falar do canal.
Vai ser em português. Só português. Dev brasileiro, conteúdo técnico de verdade, sobre:
- Workflows com IA — como usar Claude Code, Cursor, e ferramentas de IA no dia a dia de desenvolvimento real. Não tutorial genérico. O workflow que eu uso pra entregar projetos de clientes e produtos indie.
- Indie hacking — construir e lançar produtos sozinho (ou quase). O que funciona, o que não funciona, quanto custa, quanto dá de trabalho.
- Neurodivergência + IA — sou TDAH. Ferramentas de IA mudaram minha produtividade de formas que eu não esperava. Quero falar sobre isso sem romantizar e sem fazer parecer que IA é cura pra nada.
Falta conteúdo técnico em PT-BR que seja honesto, opinado e profundo. Tem muito vídeo de "aprenda React em 10 minutos" e pouco de "aqui tá como eu realmente uso essas ferramentas pra entregar software."
Esse é o buraco que quero ocupar.
A Ferramenta
Sete comandos. Um pipeline.
yt new "claude-code-workflow" # Cria pasta do vídeo
yt script --topic "..." # Estrutura do roteiro em PT-BR
yt thumb --title "..." --template code-focused # HTML → PNG 2560×1440
yt meta --title "..." # Título, descrição, tags, capítulos
yt status # Dashboard do pipeline
yt auth # OAuth2 do YouTube (uma vez só)
yt upload --schedule "..." # Manda pro ar
Cada vídeo é uma pasta. videos/2026-03-01-meu-video/ contém script.md, metadata.json, thumbnail.html, thumbnail.png e assets/. Tudo é arquivo. Tudo tá no git. Nada mora numa plataforma web que eu não controlo.
Thumbnails São HTML
Mesma filosofia do pipeline de Instagram. Cada thumbnail é um arquivo HTML — 2560×1440 pixels, renderizado pelo Playwright num PNG. Cinco templates:
- default — título + subtítulo, barra gradiente
- text-heavy — texto gigante preenchendo o frame
- code-focused — layout dividido com janela de terminal
- talking-head — texto com área pra foto
- before-after — tela dividida com comparação
Os templates usam {{variavel}} — sem engine de template, sem dependência extra. Quando rodo yt thumb, o HTML renderizado fica salvo junto com o PNG. Se quero ajustar, edito HTML. Não um arquivo do Photoshop. Não um projeto no Canva.
yt thumb --title "Meu Workflow com Claude Code" \
--subtitle "Do zero ao deploy" \
--template code-focused \
--code "yt new && yt thumb && yt upload"
Dez segundos entre a ideia e o PNG pronto.
Roteiros São Estrutura, Não Texto Pronto
Decisão deliberada. O yt script não escreve o roteiro por você. Ele monta a estrutura.
## Gancho (0:00–0:30)
> O que vai prender a atenção nos primeiros 5 segundos?
## Contexto (0:30–2:00)
> Qual problema estamos resolvendo? Por que importa?
## Conteúdo Principal (2:00–8:00)
> O meat do vídeo. Demos, código, explicações.
## Resultado (8:00–9:30)
> Mostre o antes/depois. Números concretos.
## CTA (9:30–10:00)
> Inscreva-se, comente, próximo vídeo.
A escrita real acontece numa sessão de Claude Code. Eu descrevo sobre o que é o vídeo e a gente trabalha o roteiro juntos — mesmo jeito que planejo carrosséis de Instagram. O Claude é parceiro editorial, não ghostwriter.
Dá pra adicionar uma flag --ai que gera o roteiro automaticamente? Dá. Provavelmente vou fazer. Mas a primeira versão é intencionalmente manual. Quero achar minha voz antes de automatizar ela.
A Parte Chata Que Importa
SEO de YouTube é um gênero de conteúdo que eu nunca quis aprender. Então fiz a ferramenta resolver.
yt meta lê o roteiro, extrai o título, gera uma descrição em PT-BR com timestamps, adiciona tags default e estrutura tudo num metadata.json que o comando de upload consome.
A privacidade padrão é unlisted. Porque não vou publicar um vídeo sem ter assistido ele duas vezes e odiado a quantidade normal.
O Workflow Completo
yt new "meu-video" # 1. Criar projeto
# Edita script.md # 2. Escrever (no Claude Code)
yt thumb --title "..." # 3. Thumbnail
yt meta # 4. Metadata
# Grava e edita # 5. A parte difícil (OBS, não essa ferramenta)
yt upload # 6. Manda
O passo 5 é o único que não acontece no terminal. Todo o resto é um comando. O gap entre "tive uma ideia" e "tenho uma pasta pronta com thumbnail, roteiro e metadata" é uns cinco minutos.
O gap entre isso e um vídeo publicado é, obviamente, bem maior. Gravação e edição ainda são manuais. Tudo bem. Essas são as partes que precisam ser humanas — a voz, a entrega, a personalidade. A ferramenta cuida da logística.
Por Que Construir o Pipeline Primeiro
A resposta honesta: porque eu me conheço.
Se projetos inacabados fossem moeda, eu seria rico. Já comecei e abandonei mais ventures criativas do que gostaria de admitir. O padrão é sempre igual — a parte empolgante (a ideia, o primeiro burst de criação) acontece rápido, e depois a parte burocrática operacional mata o momentum. Upload. Thumbnails. SEO. Agendamento. A fricção de abrir cinco ferramentas diferentes pra publicar uma coisa.
O pipeline de Instagram resolveu isso pro Instagram. Posto consistentemente agora. Não porque virei disciplinado — mas porque a fricção sumiu. Quando postar é um comando, você simplesmente... posta.
Tô construindo o pipeline do YouTube primeiro porque quero a mesma dinâmica. Quando eu gravar meu primeiro vídeo, o workflow inteiro de publicação já vai ser indolor. Sem "qual ferramenta uso pra thumbnail?" Sem "quais tags são boas pro YouTube?" Sem "como faço upload por API?" Essas decisões já foram tomadas. A ferramenta já funciona.
Só falta apertar o REC.
Por Que IA Muda o Jogo Pra Criação de Conteúdo
Vou ser direto sobre uma coisa que ninguém fala o suficiente:
O Claude Code não é só uma ferramenta de programação. É uma ferramenta de produção. A mesma conversa que escreve código TypeScript também planeja roteiros, estrutura metadados, e gera templates visuais. Não são skills diferentes — é a mesma skill aplicada em contextos diferentes.
A ferramenta yt inteira foi construída numa sessão de Claude Code. Uma conversa. O planejamento, a arquitetura, os 25 arquivos TypeScript, os 5 templates HTML, o OAuth2, o wrapper de API do YouTube — tudo saiu do mesmo ambiente onde eu escrevo código pra clientes.
Isso não é propaganda. É observação. Quando seu assistente de IA entende tanto de TypeScript quanto de estrutura narrativa, a fronteira entre "desenvolvedor" e "criador de conteúdo" fica irrelevante. Você é as duas coisas. Sempre foi — só faltava a ferramenta que tratasse as duas como a mesma disciplina.
O Que Vem Agora
O pipeline tá pronto. O canal vai existir. Os temas tão definidos.
Falta a parte que nenhuma ferramenta resolve: sentar na frente da câmera e falar.
Se você é dev brasileiro e quer ver conteúdo técnico honesto sobre IA, indie hacking e como a neurodivergência interage com essas ferramentas — fica de olho. O primeiro vídeo sai em março.
Vai ser desconfortável. Vai ser imperfeito. Mas o pipeline tá impecável.
Prioridades certas, como sempre.